Power Trios! Porque eles são os melhores… :) – Parte Final

Grande Galera! :D

Hoje finda-se a primeira mini-série deste humilde blog. E encerra com grande estilo. É simplesmente a NATA, a referência, os caras que inventaram alguns dos conceitos que apreciamos no rock até hoje.

Esse artigo de hoje vem também a calhar com os 40 anos do ano (estranho, mas é isso mesmo… :)) que mais mudou a sociedade ocidental no mundo, 1968. Eles acabaram nesse fatídico ano, mas a sua contribuição para a música é eterna. A história começa pelos idos de 1965, isso antes mesmo da banda ser fundada em 1966 (outro aninho bão esse…).

Bom, vou colocar aqui logo o nome dos caras se ninguém ainda sacou de quem eu estou escrevendo:

1o. -> The Cream – Jack Bruce (baixo, gaita e vocal), Eric Clapton (guitarra e vocal) e Ginger Baker (bateria e vocal). Claro agora vocês sabem que estou escrevendo sobre o primeiro supergrupo que o mundo viu, do primeiro power-trio da história, dos primeiros caras que misturaram blues com rock (que virou blues rock e depois o hard rock), da popularização dos efeitos de guitarra (tá certo que isso foi junto com um tal de Jimi).

Cream

Mas eu estava falando da “pré-história” da banda. Em 1965, Clapton já na época um guitarrista de nome e renome na Inglaterra, apesar de novo ainda, já havia participado dos Yardbirds (uma espécie de New Kids on the Block da época… :P) Donde depois vieram: Jeff Beck, Jimmy Page, etc…

Neste ano, ele estava com John Mayall´s Bluesbreakers destruindo na guitarra quando conheceu um baixista com uma técnica vocal apurada e virtuosíssimo, chamado Jack Bruce. Após alguns shows durante um mês com essa banda, Clapton percebeu que tinha uma ótima química musical com esse camarada. Os dois se completavam, e ficou com isso na cabeça durante algum tempo…

Em 1966, Ginger Baker, baterista virtuóse da banda Graham Bond Organisation, outra banda de blues/jazz consagrada da terra da rainha e que anos atrás contou com Bruce em sua escalação (essa informação será importante, guarde-a) estava meio de “ovo cheio” com o líder da banda, o próprio Graham Bond por sua dependência química e problemas mentais (doce ilusão, ó fósforo da fiat lux… :)).

Dessas idas e vindas, Baker foi assistir a um show do John Mayall e ficou impressionado com a performance de Clapton. Ah! Antes que me esqueça, é dessa época a pixação de “Clapton is God” que se tornou famosa. Ele, para tentar convencer o “moleque” (os dois são mais vélhos que o Clapton em 5 anos, nessa época fazia uma diferença… hoje todos são maracujá de gaveta) oferece uma carona ao Clapton e vai contando a sua intenção de formar uma banda com ele. Os dois, um já sabendo da qualidade musical de cada, ficam maravilhados com a possibilidade. E Clapton, garoto ainda, fica ainda mais extasiado é com a perícia de Baker ao dirigir seu Cooper pelas ruas de Londres.

“Só tem um negócio…”, disse Clapton ao Baker. “Eu adoraria tocar com vc, mas o baixista TEM que ser o Bruce”. Baker disse sim, na hora… O problema é que alguns anos antes, Bruce então baixista da Graham Bond, foi demitido por Baker. Demitido foi o modo mais polido de dizer, simplesmente o cara ameaçou o outro com uma faca! :)

Esses dois talentosos músicos, tinham (e tem, ainda hoje) um Ego monstruoso. Nessa época eles eram tão imbecis que um sabotava o outro, um desligando amp ali outro mexendo na pele de bateria acolá até que num momento ficou insustentável os dois continuarem na banda. Apesar de ter sido demitido por Baker, Bruce continuou indo aos shows. Bom, de uma mente doentia para a outra, Baker da última vez teve que mostrar uma faca para que o outro não aparecesse mais. Tudo isso o Clapton não tinha a menor idéia.

Acontece é que para o bem da música, Baker encontrou com Bruce para selar as “pazes” dizendo que para o bem da música e deles próprios, eles deveriam se juntar e fazer música com Clapton. Juntando a fome com a vontade de comer eles “relevaram” suas diferenças, e pronto… estava formado o mais famoso e mítico power trio da história! :D

Primeiro álbum, chamado Fresh Cream já deu uma amostra do que eles seriam capazes de fazer. Começando com a clássica I Feel Free. Ali já demonstravam que não estavam para brincadeira, viradas e compassos de bateria jazzísticos, guitarra insana que só o “slow hand” consegue fazer, baixo pulsante e coral afinadíssimo com 3 vozes. Na época, foi realmente uma revolução (nota, ainda não “existia” o The Jimi Hendrix Experience, aliás completamente inspirado no Cream). E seguem, NSU, Sleepy Time Time, Spoonful... só petardos. :D Além de outra clássica, I´m so Glad.

O negócio é que foi um sucesso estrondoso. Músicos talentosos, músicas ótimas e perfomances em shows ainda mais… :D Esse foi realmente a grande lembrança dos fãs do Cream. Os shows eram ódes a música bem tocada e jam sessions intermináveis, dignas de Led Zeppelin e Pink Floyd (muito tempo depois, diga-se).

Ah! Muito antes de Moby Dick, fizeram uma das primeiras músicas instrumentais baseadas na bateria da história do rock: Toad. Só por isso, já mereciam um lugar no mais sagrado dos altares rockísticos…

Não contentes, no começo de 1967 foram até os EUA para uma turnê (e, banda que se preza tem que passar ileso por uma turnê lá, pois é de lá que vem o dinheiro… e na época isso era mais verdade que hoje). Após essa turnê, muito bem sucedida, vieram com muitas idéias na cabeça, escutaram novas sonoridades e viram de perto a revolução que estava começando por lá, com os hippies e pedidos por liberdades cívis e toda aquela ebulição social que acontecia por lá…

Não deu outra. O maior passo para o Hard Rock aconteceu em Disraeli Gears. Tudo estava ali: A lisergia, as vestimentas bufantes, as arrogâncias, e logicamente a ótima música, a qualidade dos músicos e as mensagens passadas e as referências para o todo sempre criadas. Strange Brew, primeira do álbum é um espetáculo lisérgico-bluesístico jamais visto (tá, tô puxando o saco mesmo). Mas tinha muito mais por vir… Sunshine of Your Love, clássico dos clássicos é uma daquelas coisas que ninguém consegue explicar… de tão simples é primorosa, e ainda mais na mão desses caras. Tem ainda, World of Pain, We´re We Going Wrong, Tales of Brave Ulysses, SWLABR… :D

Uma amostra de Tales of Brave Ulysses:

Após esse álbum, já consolidados, começam os ciúmes entre os membros da banda e também (para expandir a mente, manja? :)) o vício dos 3 em drogas. E todos sabem quem quase levou a pior nessa, anos depois… bom, isso é outra história.

O negócio é que começaram a fazer a cabeça de Baker, dizendo que ele não precisava do Cream mais para fazer nada… Bruce começou a ficar enciumado com algumas coisas que aconteceram com suas linhas de baixo em Strange Brew (isso, a linha perfeita de baixo para essa música não é a que o Bruce prefiriu… a que ele gostava sumiu) e a presença cada vez mais constante do produtor e baixista Felix Pappalardi (tbém conhecido como quarto membro do Cream) e Clapton, coitado quase um “menino” indo na onda desses caras.

Nesse clima, gravaram o álbum Wheels of Fire (esse disco na verdade é duplo, pois tem uma apresentação ao vivo no Fillmore tbém) . Esse disco tem a gravação da melhor cover já feito por uma banda. Hum… tá, empatado com All Along the WatchtowerCrossroads. :) É ao vivo, e E S P E T A C U L A R… ali vc escuta toda a destreza desses 3 caras.

Tem ainda o Goodbye, que do mesmo jeito que Wheels… foi gravado metade em estúdio e metade ao vivo. Tem a bela Badge, canção feita pelo grande amigo de Clapton, George Harrison. Para vcs terem uma idéia de quanto os caras viviam chapados, Clapton viu o papel em que Harrison havia escrito a música e perguntou a ele: “- O nome da música é Badge?”. Harrison caía em gargalhadas ao tentar explicar que aquilo era a Bridge (ponte) que a música tinha… :) Ficou para história como nome da música.

Gravaram e cada um foi para o seu canto… Baker para a África do Sul, Bruce tentando ressuscitar o Cream criando Power Trios aleatórios com outros músicos (e uns até muito bons… ótima idéia para uma série nova) e Clapton, que definitivamente virou “God” depois que saiu da banda, no Blind Faith, no Derek and the Dominos e depois na carreira solo.

Quase 40 anos depois, em 2005, eles decidiram que deveriam fazer uma reunião. Sei lá se para ganhar dinheiro, ou passar o seu conhecimento para o público mais novo, e novamente relevaram suas diferençase e fizeram novos shows, em Londres e Nova York. Eles estão vélhinhos, mas ainda dão no couro. :D Mas as brigas voltaram tbém, principalmente entre Bruce e Baker. Mas, deixa para lá… eles já fizeram o que tinham que fazer como grupo para todo o nosso deleite.

Pessoal, era isso que eu queria passar nessa série… algumas ótimas bandas ficaram fora dessa, mas merecem todo o nosso respeito e devoção: ZZ Top, Foghat, WBL, BBM, Beck, Bogert and Appice,… uma carrada. :)

Espero que vcs tenham gostado! Um Abraço.

~ por Kleber em Janeiro 10, 2008.

4 Respostas to “Power Trios! Porque eles são os melhores… :) – Parte Final”

  1. É isso aí meu guri!!!!!!!

    Esses caras são o que há! Não é a toa que a gente toca as músicas deles! ehehhehehe. É isso aí, Clapton is God!!!

    Parabéns pela ótima série!!! muito massa!

  2. Tá… mas sabe que esqueceu do Motörhead né?
    Tudo bem… valeu para conhecer Toad!

    Agora, fala sei lá, alguma coisa tipo After Forever! :D

  3. Ahhh…que pena que acabou a sessão de power trios…tava tão legal :D

    The Cream é bom…tenho umas coisas deles aqui, que peguei da Mi (ou seja, de vc né? hehehe)…

    Ótimo post, como sempre…
    Beijosss

  4. show de bola a qualidade dos textos, e já ouvi muita música boa depois de ler aqui! :-)

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